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Just ONLY Friends

 

  • Autor: Altokio
  • Categoria: Jet Set Radio Future
  • Géneros: Drama, Romance
  • Idade: Livre
  • Serie: Book With One-Shot’s

Sinopse: "O grande dia tinha chegado, ainda me lembro de como conhecemo-nos e de como partilhava-mos tudo um com o outro como amigos..... excepto o meu amor por ela..... Mas no final apercebi-me que existia algo que iria ficar para sempre..."


Cap.01 -   Just ONLY Friends

Sempre soube que este dia ia chegar, foi num dia em que o céu estava limpo e o sol iluminava toda a cidade. Estávamos todos reunidos na “The Garage”, quando ela anunciou que se ia casar, não sei muito bem o que senti naquele momento, mas já devia estar preparado, já que sabia que isto podia vir a acontecer.

– A sério, Cube? Parabéns!!! – diz Rhyth, abraçando-a sorridente.

– Parabéns aos noivos!!!! – diz Garam, dançando ao ritmo da música da rádio.

– Fico feliz por ti, irmão. – diz Beat, dando uma palmadinha no ombro de Clutch.

– Obrigada, Beat. – sorriu.

Todos eles cumprimentavam Cube e Clutch, estavam felicíssimos, mas eu não conseguia estar nesse estado. Saí sorrateiramente, indo para longe deles, pensativo.

– Soda, estás bem? – diz Boogie, atrás de mim.

– Tento fazer por isso. – rindo-me amargamente.

– Tu sabias que, mais cedo ou mais tarde, este dia ia chegar. – olhando para mim.

Olhei-a com os olhos semicerrados. Desde o tempo da primária até hoje, sempre gostei de Cube mais do que como amiga, mas ela...

– O que fazes hoje, Soda? – diz o meu amigo de turma.

– Vou patinar pelas ruas. E tu?

– Se quiseres, posso acompanhar-te. – sugerindo.

– Por mim, na boa.

Nesse instante, alguém vem contra mim, deixando cair os livros no chão.

– Estás bem? – agachando-me logo para apanhar os livros.

– Sim, acho que sim. – diz a rapariga, com um sorriso nos lábios.

Nesse momento, o meu coração acelerou rápido, não sei bem o que se passou, mas fiquei atraído pelo sorriso dela. Ela tinha um estilo um pouco punk, talvez porque tinha os olhos com uma sombra negra e os lábios pintados de verde-azulado. Reparei que tinha uma tatuagem à volta do umbigo e um cinto com uma caveira.

– Aqui tens. – dando-lhe os livros.

– Obrigada... Já agora, qual é o teu nome? – curiosa.

– Soda. E o teu?

– Cube.

Nesse momento, a campainha tocou para a entrada.

– Bem, tenho que ir para a aula. – despedindo-se de mim.

– Então, vemo-nos por aí. – disse-lhe.

– Nada mau. – diz o meu amigo, sorridente.

Após acabarem as aulas, eu e Cube voltámos a encontrar-nos de novo no circuito de patinagem/skate, onde muitos jovens se encontravam depois das aulas.

– Ei, Soda, aquela não é Cube? – diz o meu amigo, um pouco surpreendido.

Observei a rapariga que patinava com grande estilo mais atentamente e surpreendi-me.

– Sim, é verdade, é ela.

Aproximámo-nos dela.

– Ora viva, Cube.

Voltou-se para nós, espantada.

– Olá, tudo bem? O que fazem aqui?

– Nós costumamos patinar aqui.

– Fixe. – sorriu-se. – Quero ver essa vossa habilidade. – desafiando-nos.

Nessa tarde, divertimo-nos bastante. Acabei por saber que morávamos no mesmo bairro e, por isso, Cube sugeriu que podíamos vir juntos para casa depois das aulas acabarem. Os dias converteram-se em semanas, as semanas em meses, onde comecei a desenvolver sentimentos por ela, mas nunca tive coragem de lhe confessar os meus sentimentos porque, de algum modo, não queria arriscar a nossa amizade. Mas, com a vinda de Clutch, o irmão mais velho de Beat, tudo começou a mudar.

Nós nunca mais viemos juntos para casa, bem como já não nos víamos regularmente no circuito de patinagem/skate. É como se nós os dois caminhássemos agora por dois caminhos diferentes, que se iam afastando cada vez mais.

– Ora bolas!!!! Já viste isto, Soda? Agora começou a chover a potes. – diz o meu amigo, levantando-se da cadeira e olhando lá para fora, aborrecido.

– Hum... – sem muito interesse.

– Então, hoje pareces mais abatido que ontem. – voltando a sentar-se na cadeira. – Devias ter-lhe contado os teus sentimentos quando tiveste oportunidade, Soda. – observando o teto.

– Eu sei, mas... tive receio de perder a amizade com ela.

– Compreendo, mas devias ter-lhe contado. – olhando para mim.

Levantei-me até à janela para observar a paisagem. Nela vi Cube e Clutch, não sei bem o que faziam, mas pareciam estar a discutir. Cube afastou-se dele, correndo pela chuva.

– Volto já. – disse, apressado.

– Mas onde vais com tanta pressa? – surpreendido com a minha reação.

– Depois explico-te.

– Ok.

Fui ter com ela para perceber o que se tinha passado. Encontrei-a sentada numa das mesas da cantina, com a mão a tapar o rosto. Aproximei-me dela.

– Cube?! O que se passa? Eu vi-te com Clutch...

– Não digas o nome dele. – num tom um pouco brusco.

– Cube... – pondo a mão no seu ombro.

– Desculpa-me. – limpando os olhos. – Eu não queria ser brusca contigo, desculpa-me. – dando-me um pequeno sorriso.

– Não faz mal. – sentando-me ao seu lado. – O que se passou, afinal?

– Soda – com os olhos semicerrados para a mesa. – apesar de me ter afastado de ti, continuas a preocupar-te comigo. És um amigo muito especial... Eu não te mereço.

– Não digas isso. – Olhando para ela.

– Soda...

– Tu para mim serás sempre especial, aconteça o que acontecer. – Passando ligeiramente a mão no seu rosto.

– Obrigada.

– Então, afinal o que aconteceu?

– Às vezes pensamos que conhecemos as pessoas, mas na verdade não conhecemos. – Entristecida. – Será que é muito difícil dizer a alguém que já não se gosta dela? – Olhando para mim, franzindo o sobrolho. – Foi preciso ele ter-se envolvido com outra rapariga e eu ter descoberto para o saber. – Um pouco furiosa.

Na cantina ouvia-se o som da chuva a cair. Cube levanta-se da cadeira, passado um tempo, já mais tranquila, ficando de costas para mim.

– A vida é mesmo assim, verdade? Há que esquecer o que aconteceu e continuar com a cabeça erguida para a frente.

Senti que o timbre da voz dela tinha uma certa amargura no que dizia. Aproximei-me dela.

– Cube. – Poisando a minha mão no seu ombro, vi algumas lágrimas a escaparem-lhe dos olhos. – Oh, Cube...

– Desculpa-me. – Virando-se para mim. – Eu não queria... – Escondendo o rosto com as mãos. – ...que me visses assim.

– Anda cá. – Abraçando-a sem hesitar, senti o meu peito molhado. Acariciei-lhe o cabelo. – Não te preocupes, eu estou aqui contigo.

Nesse dia, fomos embora juntos para casa quando a chuva já tinha parado de cair.

– Oh bolas, esqueci-me das chaves. – Diz Cube preocupada. – E os meus pais vão chegar tarde a casa. Que faço?

– Porque não dormes em minha casa? – Sugeri.

– Tens a certeza? E os teus pais?

– Eles hoje não estão.

– Ok, sendo assim agradeço. – Um pouco mais aliviada.

Cube achou a minha casa muito acolhedora.

– Fica à vontade. – Disse. – Vou ver o que há para comer. – Indo à cozinha.

– Ok. Hum... Soda? Achas que posso tomar um banho? – Com alguma hesitação.

– Claro que podes, fica à vontade, as toalhas estão penduradas lá na casa de banho, usa a que quiseres. Só mais uma coisa. – Correndo até ao meu quarto. – Utiliza estas roupas lavadas.

– Obrigada. – Levando-as consigo.

Abri o frigorífico; ouvi o barulho do chuveiro a deitar água. Comecei a pensar que talvez esta fosse a minha oportunidade de lhe confessar os meus sentimentos.

– Então, qual é o jantar? – Diz Cube à porta da cozinha.

Voltei-me para ela e comecei a rir-me, pois as minhas roupas ficavam-lhe muito largas.

– Estou assim tão mal?

– Não, nada disso, Cube. Apenas acho engraçado, nada mais.

Ela também riu-se, passado um bocado. Jantámos e conversámos ao mesmo tempo que víamos TV. Foi muito proveitoso, porque já há muito tempo que não tínhamos uma conversa entre nós os dois. O tempo voou com uma grande rapidez, pois o relógio já marcava quase meia-noite.

– Já é assim tão tarde? – Diz Cube surpreendida.

– Talvez seja melhor irmos deitarmo-nos.

– Tens razão, onde durmo? – Olhando para mim.

– Fica no meu quarto, eu durmo aqui no sofá.

– Tens a certeza? Olha que não me importo de dormir no sofá.

– Na boa, Cube.

– Ok então, boa noite.

– Hum, Cube... – Chamei-a.

– Sim? – À espera da minha resposta.

Fez-se algum silêncio entre nós durante algum tempo.

– Passa-se alguma coisa, Soda? – Ficando preocupada.

– Não, apenas que tenhas uma boa noite.

– Igualmente. – Sorrindo para mim.

Cube saiu da sala, eu apenas pus a minha mão no rosto, porque tinha desperdiçado uma oportunidade de lhe dizer o que sinto por ela.

– Bolas! – Atirando a almofada do sofá para o chão.

O sono custava a vir, mas lentamente veio. Quando estava quase a ir para o sono profundo, oiço um choro. Levantei-me, pois provinha do meu quarto; fui até lá.

– Cube? – Batendo à porta. – Estás bem? – Esperando a sua resposta.

– Sim, entra.

Vi Cube sentada à beira da cama, de costas para mim.

– Estás bem? O que se passou? – Fechando a porta do quarto.

Cube volta-se para mim.

– Apenas recordei-me de Clutch.

Aproximei-me dela, sentando-me ao lado dela. Não conseguia vê-la sofrer desta maneira.

– Cube... – Olhando para ela, um pouco sério. – Há algo que tenho que te dizer.

– Que se passa?

– Já há algum tempo que eu... – Hesitando. – Apenas não quero ver-te sofrer assim.

– Eu sei que te preocupas comigo...

– Cube, eu... – Interrompendo-a, determinado. – ...gosto de ti!!!

Ela olhou-me surpreendida, pois não estava à espera da minha confissão.

– Soda, eu... – Olhando para o chão, a pensar no que iria dizer a seguir. – ...eu não sei o que dizer, mas... – Olhando para mim, um pouco séria. – ...eu... – Levantando-se, ficando de costas para mim.

– Cube, apenas dá-me uma chance. – Levantando-me da cama.

– Soda! – Voltando-se para mim. – As coisas não funcionam assim dessa maneira. Eu ainda tenho sentimentos pelo Clutch, e não seria justo para ti.

– Não quero saber.

– Soda... – Desapontada com a minha resposta. – Desculpa-me, mas eu não vou prosseguir mais esta conversa. – Deslocando-se para a saída do quarto.

No momento em que ela ia abrir a porta, eu impeço-a de abrir.

– O que estás a fazer? Deixa-me ir! – Voltando-se para mim, irritada.

Encurralo-a entre os meus braços, olhando-a com os olhos semicerrados.

– Deixa-me ir! – Tentando sair.

Agarro-lhe no queixo, passando ligeiramente o meu polegar nos seus lábios, surpreendendo-a. Aproximo-me do rosto dela lentamente; ela empurrava-me de maneira a impedir-me de avançar.

– Não o faças, Soda... – Implorando, toda encolhida.

Nem o implorar dela me impediu de continuar. Elevei o seu queixo contra a vontade dela.

– Pára, Sod...

Envolvo os meus lábios com os dela, impedindo-a de acabar a frase. Ela debatia-se contra mim, tentando escapar-se, mas eu não deixava, até que ela parou de o fazer. Ao afastar-me, os olhos dela vertiam pequenas lágrimas.

– Cube?! – Surpreendido. – Eu... – Querendo acariciar-lhe o rosto, ela apenas virou o rosto para o lado.
Sentia-me um idiota chapado naquele momento; tinha deitado tudo a perder por causa dos meus estúpidos ciúmes.

– Cube, olha eu...

– Por favor, vai-te embora. – Sentando-se à beira da cama.

– Ok. – Decepcionado comigo mesmo.

Deitei-me no sofá; é claro que não dormi nada por causa do que tinha acontecido.

De manhã, nós os dois não trocámos uma única palavra entre nós. Até posso dizer que o ambiente estava um pouco pesado. De qualquer forma, tinha de dizer algo para acabar com aquele ambiente.

– Cube – Iniciei. – Quero pedir-te desculpa por causa de ontem. – Olhando para ela sentada a tomar o pequeno-almoço. – Estou mesmo arrependido pelo que fiz. – Baixando a cabeça.

Cube demorou algum tempo a dar-me uma resposta.

– Eu perdoo-te, Soda. – Com os olhos semicerrados.

– A sério?

– Sim.

– Obrigada. – Dando-lhe um sorriso.

– Eu também tive alguma culpa no que aconteceu. – Com os olhos semicerrados para mim. – Eu nunca te disse, mas já há algum tempo desconfiava que tivesses sentimentos por mim.

Olhei-a, um pouco surpreendido.

– Eu devia ter falado contigo. – Com um ligeiro sorriso. – Aquilo que queres de mim eu não posso dar-te, porque eu apenas te vejo como um grande amigo.

– Compreendo. Eu não quero perder a nossa amizade por causa do que aconteceu.

– Eu também não. – Pondo a mão dela em cima da minha. – Queres fazer uma promessa?

– Sim.

Ela mostrou-me o seu dedo mindinho e eu o meu; envolvemos os nossos dedos, e Cube disse em voz alta.

– Este laço especial que criámos nunca será quebrado, aconteça o que acontecer.

Depois de acabarmos de comer, fomos os dois juntos para a escola. No portão, Clutch esperava por alguém, com alguma preocupação. Ao ver-nos, veio logo ter connosco, mais concretamente com Cube. Ele pediu-lhe o seu perdão, mas é claro que ela só o perdoou após vários dias. Começámos outra vez a ir juntos para casa, mas com Clutch presente. A única coisa que podia fazer por ela era zelar pela sua felicidade junto a Clutch. Cube sempre me disse que mais cedo ou mais tarde eu iria encontrar a rapariga ideal, mas até agora isso nunca aconteceu. Apesar de ter namorado outras raparigas, Cube será sempre aquela rapariga que ficará no meu coração.

– E agora, como te sentes? – Diz Boogie, com os braços cruzados.

Eu conheci Boogie quando fui para a faculdade. Ela conhece o meu historial com Cube, já que fui eu quem lhe contou tudo.

– Agora estou melhor.

– Ei Boogie, podes vir aqui um momento? – Diz Jazz.

– Ok, já vou. – Respondendo-lhe. – Venho já.

O silêncio invadiu o meu redor.

– Soda? O que fazes aqui sozinho?

– Cube? – Voltando-me para ela.

– Estás bem? – Preocupada, com os olhos semicerrados.

– Sim, eu já sabia que este dia iria chegar mais cedo ou mais tarde.

Cube nada disse, apenas agarrou-me as mãos.

– Eu quero que sejas o meu padrinho de casamento, Soda.

– O quê?!

– O meu padrinho de casamento. – Olhando para mim com um sorriso. – O que me dizes?

– Claro. – Com um ligeiro sorriso.

– Obrigada.

– Parabéns, Cube. – Felicitando-a com um abraço.

– Agradeço o teu gesto. Vamos ter com os outros. – Levando-me pela mão.

Também felicitei Clutch com um abraço. O dia do casamento não tardou em chegar. Cube estava linda; parecia um anjo com aquele vestido branco angelical. Na festa do casamento, tive a oportunidade de dançar com ela. A felicidade que emanava preenchia todo o rosto dela, e isso bastava-me para também ficar feliz. Após eles terem partido para a noite de núpcias, eu e Boogie fomos os únicos a ir para “The Garage” para relaxar um pouco.

– Cube estava linda. – Diz Boogie, olhando para o céu nocturno.

– É verdade, estava tão feliz. – Deitando-me num dos sofás que lá havia, com um ligeiro sorriso. – E isso basta.

– Definitivamente és um amigo especial. – Olhando para mim.

Nada disse. O telemóvel de Boogie começou a tocar; ela fez logo cara de enterro, pois era o chato do Garam, no ver dela.

– Ok, já vou ter contigo. – Desligando, sem grande entusiasmo. – Agora quer que vá vê-lo a dançar, meu Deus. – Com a mão na cabeça. – Bem, tenho de ir. Ficas bem sozinho?

– Sim, não te preocupes, vai lá.

As estrelas que pintavam o céu nocturno brilhavam alternadamente. É verdade que podia ter deixado de ser amigo de Cube, mas acho que isso seria um pouco infantil da minha parte. Aliás, também não é o fim do mundo não ter sido correspondido por ela, porque o que nos uniu primeiramente foi a nossa amizade, e isso é algo que permanecerá até aos últimos dias das nossas vidas.

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