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Cap 03 - Word of Trust

Rhoda acorda lentamente, abrindo os olhos ainda ajustarem-se à claridade do quarto. Reconhecendo o tecto do posto médico, onde ao lado dela vê Selina sentada com largo sorriso o que a deixa um pouco confusa.

 - Selina!!! - Levantando-se para cima.

 - Calma Rhoda. - Levantando-se do banco agarrando os ombros dela. 

 - Mas como?

 - Muito simples, tiveste praticamente a dormir duas semanas.

 - Duas semanas?!

 - Sim. No dia seguinte quando acordei, tinhas dado entrada no posto. O que aconteceu?

 - Foi Lierin, uma elfa com manias.

 - Devias ter mais cuidado. - Um pouco preocupada.

 - Sim eu sei, mas já sabes como eu sou. - Suspirando. - Como estás?

 - Tenho andado bem e ajudado quem precisa no acampamento. 

 - Típico. - Sorrindo-se. - Assim que tivesses boa em dar os primeiros passos, lá foste tu. 

 - Já sabes como é. - Sorrindo-se também.

Em seguida aproximou-se delas um médico, lendo alguns papéis mas sem muita atenção.

 - Oh! Vejo que já arranjaste companhia, Selina.

 - Sim é verdade.

 - Vamos ver como está a tua coxa? - Olhando para Rhoda, com um pequeno sorriso.

 - Sim claro. - Sem por alguma objecção. O toque do médico era calculista e cuidadoso.

 - Tiveste muita sorte em Iorveth ter reagido rapidamente. Porque senão terias perdido a perna. 

 - Sim, lembro-me vagamente do que aconteceu.

 - Pelo que estou a ver não há necessidade de continuares aqui no posto. Terás alta ainda hoje, mas sem grandes aventuras, ok?

 - Ok.

 - Não te preocupes, eu tomo conta dela. - Sorrindo para o médico.

 - Eu sei que sim. Tenho que ir, as melhoras. - Saindo do local.

 - Obrigada. Hum… o que ele quis dizer com aquilo?

 - Foi eu quem tratei de ti em tudo que era necessário enquanto estavas a dormir.

Rhoda olhou Selina surpreendida antes de olhar para as suas mãos pensativa.

 - Por quê essa cara de surpreendida? - Pegando nas mãos de Rhoda. - Achas que não iria cuidar de ti? 

Rhoda dá um sorriso mostrando a alegria nas palavras de Selina, que a abraçou fortemente, antes de ajudá-la a sair da cama. Cá fora o céu apresentava algumas nuvens, mas deixava o sol iluminar o caminho em que as duas percorreram até à tenda delas, que não era muito grande, mas era suficiente. Antes de entrar, Rhoda sentiu que os esquilos tinham deixado de observá-las por algum motivo.

 - Selina! Gostaria de te levar a um lugar que irás adorar.

 - Ok, mas antes, tenho que dizer-te uma coisa.

 - O quê?

 - Iorveth falou comigo sobre a missão que irás fazer, e quis saber no que eras melhor.

 - Contaste-lhe acerca do que sou? - Preocupada.

 - Não, achas. Apenas pedi-lhe para ajudar-te a melhorar no combate corpo a corpo. - Viu Rhoda pensativa. - Daqui algumas semanas vais começar os treinos e farás parte desse grupo.

 - Ok. - Surpreendida. - Eu irei. - Sorridente.

 - Agora. Onde fica esse lugar? - Avançando para a saída da tenda.

As duas saíram, em passo calmo aproveitando a pequena brisa que fazia. Ao chegarem, Selina ficou de tal maneira hipnotizada a observar o horizonte que demorou alguns minutos a desviar olhar para Rhoda.

 - Estranho… - Olhando em volta. - Hoje parece que não está ninguém aqui.

 - Não faz mal, mais fica para nós. - Aproximando-se da beira da água. - A água aqui é tão limpa que até consigo ver o meu reflexo. Anda cá Rhoda.

Rhoda aproxima-se da beira da água olhando o seu reflexo e vê que nada tinha mudado muito com os anos. Ficando com uma expressão séria e pensativa, o que fez Selina reparar.

 - O que tens na tua testa? - Aproximando-se lentamente de Rhoda e com rápido movimento molha a cara dela rindo-se.

 - Oh!!!! Já estou a perceber. - Limpando a cara molhada. - Se queres guerra irás ter. - Aproximando-se de um tronco pondo o casaco e a camisa, ficando de tronco nu mostrando o porte atlético, juntamente com as suas cicatrizes e os seios envoltos em ligaduras. 

 - Espera, espera. - Aproximando-se também do tronco onde estava a roupa de Rhoda pondo a dela ficando apenas com uma roupa leve vestida, sem ficar com o tronco nu. - Não sei não, como não és muito boa em corpo a corpo. - Num tom desafiador.

As duas entraram na água pondo umas das mãos na água e ao mesmo tempo fizeram contagem decrescente. Selina num movimento rápido esquivou-se do ataque de Rhoda molhando o braço dela, sem aperceber-se que Selina aproximou-se e molhou de novo Rhoda. E mais uma vez e outra e outra.

Rhoda começou a sentir-se frustrada por não conseguir molhar Selina e num acto de desespero começou a mandar água por todos os lados acertando finalmente em Selina. 

 - EI!!! Isso não vale!!!! Mas ok. - Imitando Rhoda, o que faz com que ela fica-se mais agressiva acabando por molhar Rhoda toda.

 - Ok, ok. Desisto, ganhaste. - Rindo-se.

 - SIM!!!!! - Festejando sorridentemente.

As duas saem da água voltando para a margem, onde Rhoda deita-se no chão apoiando a nuca com as mãos enquanto Selina estava sentada no chão ao lado dela.

 - Já tinha saudades disto.

 - De facto tens razão. Mas sabes que tenho andado a pensar e acho que um dia darias uma óptima mãe.

 - Sim talvez. Falta agora arranjar um marido. E tu serias a tia. - Olhando para Rhoda sorridente.

Nisto Rhoda levanta-se do chão ficando sentada a olhar com ar sério para o horizonte que indicava que a tarde ia a meio do dia.

 - O que se passa?

 - Sabes qual é o meu maior medo? - Fazendo uma curta pausa. - É ficar de novo sozinha. - Olhando para Selina séria. - Saber que não posso fazer nada para impedir a tua morte e isso deixa-me um pouco triste.

 - Acho que estás a dar muita importância a algo que ainda está longe de acontecer. - Agarrando as mãos dela. - Devias desfrutar o agora como este momento que estamos a ter.

 - Sim, acho que tens razão. - Levatando-se do chão puxando Selina consigo. 

Nesse momento, Rhoda sentiu um desconforto atrás da nuca que a fez voltar-se para um conjunto de árvores, à procura de alguma coisa escondida entre elas, mas não conseguiu ver nada.

 - O que se passa? - Olhando confusa.

 - Não é nada. Pareceu-me ter visto alguma coisa, mas deve ter sido a minha imaginação. - Soltando as mãos de Selina. 

As duas deram por encerrada a diversão onde vestiram-se e caminharam com calma de volta para à tenda, até que ao longe viram uma pequena multidão que chamou a atenção delas. 

Aproximaram-se, abrindo passagem entre as várias pessoas. Rhoda não quis acreditar no que os seus olhos mostravam. Erin estava amarrada a uma árvore apresentando sinais de agressividade onde gemia num tom baixo. 

Ao tentar aproximar-se dela, um esquilo advertiu-a para não o fazer que ela era capaz de tentar morder. Mas mesmo assim aproximou-se dela abaixando-se com uma margem de segurança observando atentamente. Os vergões negros que apresentava no corpo Rhoda reconhecia-os, estalou os dedos para chamar a atenção de Erin e a reação que teve confirmou o que ela suspeitava, Erin tinha sido zumbificada.

Atrás de Rhoda, Selina aproximava-se ficando aterrorizada com o que via. 

 - O que se passou? - Olhando para o esquilo séria.

 - Quando o meu grupo foi até à casa de Erin para verificar se ela precisava de alguma coisa, reparamos que a porta da entrada estava semi aberta. O que não é hábito, por isso esperamos alguns minutos e lá de dentro saíram alguns homens vestidos de guardas e um homem de negro.

 - Homem de negro? - Levando-se rapidamente com olhar sério. - Há quanto tempo foi isso?

 - Coisa de 30 minutos atrás.

 - Selina, - Voltando-se para ela. - vou ter que me ausentar por uns minutos.

 - Ok. Eu fico aqui à tua espera.

Rhoda desapareceu por entre a multidão, saindo do acampamento percorrendo o caminho até à casa de Erin, esperou alguns segundos antes de aproximar-se da entrada da porta. Ao abrir a porta principal o cenário era de horror. Erin tinha sido abusada e violentada na sua própria casa. 

Em cima da mesa viu um boneco de trapos de cor negra, ao aproximar a mão sentiu uma forte presença, e pensou que foi aqui que o homem de negro aprisionou a alma de Erin, não era a primeira vez que via estes bonecos. Fechou o punho com raiva por não ter conseguido evitar que Erin caísse nas mãos dele.

 - Por quanto tempo irás ficar à porta? - Pegando no boneco de trapos sorrateiramente.

 - Pelo que estou a ver, sabes bem o que se passou aqui. - Entrando dentro de casa.

 - Nada de mais - Voltando-se para Iorveth. - típico assalto. - Avançando para a porta de entrada.

 - Então porque levas esse boneco de trapos contigo? - Agarrando-lhe o braço dela parando-a. 

 - Eu preciso dele.

 - Eu não gosto de mentiras muito menos daquelas que são evidentes. - Num tom sério. - Vocês dh'oine têm sempre a mania de que tudo tem de ser como vocês querem.

 - E porque será que vocês elfos têm a mania de pôr tudo no mesmo saco? - Olhando nos olhos dele. - Que eu saiba o nosso acordo foi que eu fizesse missões para ti e não de dar-te satisfações do que faço ou deixo de fazer.

 - Quando alguma coisa acontece e a Scoia'tael está envolvida é suposto dares satisfações. A jovem que morava aqui é quem nos fornece plantas medicinais. - Soltando o braço de Rhoda. - Começo a pensar que talvez foi um erro ter salvo a ti e à tua amiga. - Cruzando os braços.

Um breve silêncio fez-se entre Rhoda e Iorveth, onde ela pensou na Selina e viu os esquilos aproximarem-se dela formando um pequeno círculo à volta .

 - Eu contarei tudo o que quiseres saber, mas agora preciso de ir o mais rápido para o acampamento.

Viu alguma hesitação no rosto dele durante alguns segundos, mas acabou por concordar.

 - Se tentares alguma….

 - Sim, já sei, matas-me em três tempos. És sempre assim tão glamoroso com toda a gente?

 - Hum… - Mostrando um ligeiro sorriso.

Iorveth, Rhoda e os restantes esquilos quando chegaram ao acampamento, ela pede a todos para se afastarem mantendo uma boa distância advertindo o que acontecer para não aproximarem-se.

Rhoda aproxima-se de Erin pegando no boneco de trapos, mostrando-lhe o que parecia reconhecer. 

 - Não te preocupes, eu irei ajudar-te.

A mão que estava vazia começa a ganhar tonalidade verde, formando uma chama verde, onde com a outra aproxima o boneco à chama, o que fez a jovem gema alto ao ponto de gritar de dor, um dos médicos ainda quis ajudar Erin mas Selina impediu de avançar.

Num rápido movimento com a mão em chamas retira com algum custo a alma de Erin. Assim que saio do boneco, o boneco desfez-se em pedaços. 

Erin parou de gritar e os vergões negros começavam a desaparecer gradualmente, olhando confusa para Rhoda.  

 - Está tudo bem agora. - Aproximando-se dela com a alma na mão. - Já estás a salvo. - Introduzindo a alma no corpo. 

 - Obri.... - Perdendo a consciência, antes de conseguir acabar a frase.

Rhoda solta Erin pondo-a deitada no chão, olhou para multidão que olhava surpreendida, sem muito bem saberem o que acabaram de ver. Viu que Iorveth era o único que mantinha uma postura neutra. Selina aproximou-se de Erin e examinou-a com cuidado.

 - Depressa, temos de levá-la ao posto. - Falando para os outros médicos que ainda estavam sobre o efeito surpresa. - Do que estão há espera?

Rhoda viu Selina e os restantes médicos a partir do local, onde a multidão começou a dissipar gradualmente.

 - Obrigado por teres confiado em mim - Aproximando-se de Iorveth. - Agora penso que é a minha vez. - Olhando nos olhos.

 - Amanhã falaremos. - Num tom calmo. - Assim que acordares vem ter à minha tenda. Hoje foi um dia longo.

 - Posso trazer Selina comigo? 

 - Tu é que sabes.

 - Ok.

Rhoda viu Iorveth afastar-se dela com passo calmo até a tenda dele, ficando pensativa de como iria começar amanhã a conversa. No caminho até ao posto viu Selina a falar com uns dos médicos e aproximou-se. 

 - Erin, vai ficar boa, apesar do que aconteceu-lhe. - Olhando para Rhoda um pouco triste.

 - É bom ouvir isso. - Com um pequeno sorriso. - Selina... eu amanhã vou falar com Iorveth e queria que viesses comigo. Há algumas coisas que quero contar-te sobre o meu passado.

 - Claro que irei. Regressamos juntas à tenda?

 - Sim, vamos.




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