- Autor: Altokio
- Categoria: Original
- Géneros: Amizade
- Idade: Livre
- Serie: Book With One-Shot’s
Sinopse: “Afinal, o que é a felicidade? O que significa ser feliz?” Estas são perguntas que faço todos dias e todos os dias procuro uma resposta para elas.”
Cap.01 - O Que Significa Ser Feliz?
"Afinal, o que é a felicidade? E o que significa ser feliz?", pergunto a mim mesma, olhando para o espelho, ainda meio ensonada. Essas são perguntas que me faço todos os dias, e todos os dias busco uma resposta.
– Ayaka, despacha-te! Vem tomar o pequeno-almoço!
– Já vou, mãe! – respondo, vestindo o uniforme da escola.
Na cozinha, dou os bons dias aos meus pais, e eles retribuem. Enquanto como, penso no que faz meus pais felizes. Lembro-me de ter perguntado isso à minha mãe uma vez, e ela respondeu sorrindo: "Conhecer o maluco do teu pai e ter-te como filha". A resposta dela me intrigou. Eu não conseguia entender muito bem o que ela queria dizer.
Depois de terminar o café da manhã, despeço-me dos meus pais e sigo para a estação de comboio. No caminho, vejo um jovem casal, que parece feliz, o que me faz lembrar dos tempos em que namorava. Recordo aquele sentimento de expectativa ao esperar pela pessoa amada, e sorrio ironicamente, pensando em quanto tempo duraria a felicidade deles.
Logo o altifalante anuncia a chegada do comboio, e entro, assim como o casal. Durante a viagem, fico dividida entre observar a paisagem em movimento e lançar olhares discretos ao casal. Quando meu namoro terminou, passei dias deprimida. Mas o curioso é que, mesmo depois da dor, recordo os momentos engraçados que vivemos juntos, como a vez em que ele participou de um concurso de donuts e acabou a semana toda doente por ter comido demais.
O comboio chega ao destino, e saio.
– Bom dia, Ayaka! – ouço uma voz feminina.
– Oi, Ayaka! – diz uma voz masculina.
– Bom dia, Fuu e Hisagi! – respondo com um sorriso.
A Fuu é minha amiga desde a primária, e sempre esteve ao meu lado, inclusive quando precisei superar a tristeza do fim do namoro. Ela tem o dom de levantar o ânimo de qualquer um, sempre com histórias engraçadas. A mais memorável foi quando saímos pela escola à procura de sapos fugitivos do laboratório de ciências.
Já o Hisagi, conheci no último ano da primária. Engraçado como o destino nos colocou na mesma turma. Talvez fosse mesmo destino. Chegamos à escola, cumprimentamos os colegas e ocupamos nossas carteiras. O professor não demora a entrar para começar a aula.
Enquanto ele fala, minha mente vagueia pelas respostas que encontrei na internet para minhas perguntas. Três delas me deixaram a pensar:
A primeira dizia que a felicidade é ter uma conta bancária recheada.
A segunda, ser o mais famoso.
A terceira, possuir bens valiosos.
Nenhuma dessas respostas parecia ser aquilo que procuro.
Depois das aulas, Fuu sugere que matemos tempo à margem do rio, e eu e Hisagi aceitamos. A brisa da tarde é revigorante, e todos nós nos estendemos na relva.
– O que querem fazer no domingo? – pergunta Fuu, deitada na relva.
– E se fizéssemos uma excursão? – sugere Hisagi, animado.
– Ótima ideia! – concorda Fuu.
– Mas há um problema – digo eu.
– Qual? – pergunta Hisagi.
– Precisamos de um adulto, porque ainda somos menores.
– Verdade... nem pensei nisso – responde Hisagi, desapontado.
– Vou perguntar aos meus pais. Aposto que eles aceitam vir conosco – digo eu.
– Fixe! – respondem os dois.
De volta a casa, falei com os meus pais, que ficaram tão empolgados quanto nós. Eles sugeriram vários lugares, e acabamos escolhendo Kyoto.
– Adoraria conhecer Kyoto – disse eu.
– Está decidido! – disse meu pai, radiante.
Corri para o meu quarto e avisei Fuu e Hisagi sobre os planos. Estava tão animada que mal consegui dormir.
Na manhã seguinte, ajudei meu pai a preparar as coisas para a excursão, e às 8h30, meus amigos chegaram. Cantamos e conversamos durante o trajeto, e a sensação era indescritível.
– Chegamos! – disse meu pai.
– Uau! Kyoto é lindo! – exclamei, maravilhada.
Visitamos o Museu de Artes de Kyoto e depois almoçamos perto do templo Heian-Jingu. Sentada no banco, olho para o céu, perdida em pensamentos.
– Ayaka, estás pensativa hoje. O que se passa? – pergunta Fuu.
– Nada demais... só estou à procura de respostas.
– Que respostas? – pergunta Hisagi, curioso.
– Se te perguntassem o que é a felicidade, Fuu, o que responderias? – pergunto, olhando-a.
– Hum... acho que a resposta não é tão complicada – diz ela, sorrindo.
Ela menciona um rapaz da escola que, mesmo com muito dinheiro, acabou solitário por não ter amigos verdadeiros. Isso me fez refletir.
– A felicidade não se compra, Ayaka. Ela é construída com pequenos momentos partilhados com as pessoas que amamos – conclui Fuu.
Suas palavras ecoaram na minha mente. De repente, tudo fez sentido. Lembrei-me do que minha mãe disse sobre a felicidade de me ter como filha, e finalmente compreendi.
– Vocês fazem-me feliz todos os dias – digo, emocionada.
Naquele momento, percebi que a felicidade estava mais próxima do que eu imaginava, nos pequenos momentos que vivia com as pessoas que amo. Quando chegamos a casa, peguei um pedaço de papel e escrevi:
"O que é a felicidade?"
R: A felicidade é feita de pequenos momentos partilhados com as pessoas de quem mais gostamos.
"O que significa ser feliz?"
R: Ser feliz é valorizar esses momentos e transformá-los na nossa própria felicidade.

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