- Autor: Altokio
- Categoria: Original
- Géneros: Drama
- Idade: +16
- Serie: Book With One-Shot’s
Sinopse: "Sabes aquela palavrinha pequena, cujo significado é do tamanho de galáxias? Aquela que eu costumava odiar e que, antes, me era indiferente? Agora, adoro ouvi-la da tua boca, seja ao acordar, ao deitar ou enquanto passeamos. A verdade é que amo ouvi-la, e enquanto os meus ouvidos puderem escutar, sempre a ouvirei com ternura, deixando um sorriso nos meus lábios. Esta é a nossa história.”
Cap.01 - Our Story - This Is For You
A primeira vez que falaste comigo, perguntaste-me se via animes. Na altura, fiquei surpreendida, porque nunca ninguém antes me tinha perguntado tal coisa ou mostrado interesse. Penso que foi a partir daí que começámos a falar e a conhecer-nos melhor.
Naquela altura, ainda tinha dado uma terceira ou quarta oportunidade a mim própria para encontrar a pessoa certa. Mas o destino não quis assim, e aquele rapaz com quem sai não era o certo para mim. Como consequência, selei ainda mais o meu coração, que já tinha sido magoado várias vezes demais.
Tu, nessa altura, já não estavas por perto...
As pessoas começaram a chamar-me pessimista e diziam que era fria. Eu compreendo o ponto de vista delas, mas esta foi a maneira que encontrei para me proteger do mundo exterior.
Nunca consegui ser eu mesma, pois havia sempre alguém a apontar-me o dedo. Nunca soube verdadeiramente o que era amizade até ir para a pré-faculdade. Posso dizer, sem dúvida, que foram os melhores anos da minha vida.
Foi lá que soube o que era ter um amigo e poder ser eu mesma sem precisar de usar uma máscara para as pessoas à minha volta.
Nessa altura, algo aconteceu, mas soube dar prioridade ao que era mais importante. Pensava: "Se tiver de escolher entre o amor e a amizade, prefiro a amizade, porque ela é algo que fica para sempre, mesmo com o passar dos anos, enquanto o amor é algo temporário que pode acabar de um momento para o outro. Porque hei de perder tempo com esse tipo de sentimento tão vago e, por sua vez, inútil, se posso ter algo duradouro como a amizade?" Foi exatamente isso que fiz: desliguei-me desse sentimento, e aquelas paixões que se costumam ter deixaram de fazer parte de mim durante anos, pois dava prioridade à amizade.
É verdade que senti o "efeito secundário" disso. O vazio dentro do meu coração era tão grande que, por vezes, sentia-me morta. As coisas à minha volta não tinham interesse, e aquele acordar para o mundo real era apenas mais um dia de "sofrimento" por ter de acordar.
Posso dizer que essa fase foi a mais negra da minha vida. Muitas vezes pensei em desaparecer, acabar com tudo (como, por exemplo, atirar-me para a linha do metro ou desejar que um carro me atropelasse).
Sei que a minha família e os meus amigos sentiram a minha frieza nessa altura. Sempre que via sangue ou algo violento na televisão, achava aquilo natural e até engraçado ao mesmo tempo.
Aquele vazio que sentia a cada dia que passava consumia-me cada vez mais. Cheguei ao ponto de não aguentar mais e foi aí que fiz o meu primeiro corte com a lapiseira até começar a sangrar (ainda hoje tenho essa marca visível).
Surpreendi-me, pois não senti dor, apenas alívio e uma sensação de estar viva naquele breve período em que a ferida estava a sarar. Parecia que tinha tomado uma droga qualquer.
Os meus amigos da pré-faculdade notaram o que tinha feito e, claro, não gostaram. Confesso que, quando acabei o curso, senti-me "abandonada" porque foram os melhores anos da minha vida, e foram eles que me mostraram o que é uma amizade e o que são amigos.
Aquele vazio que já existia ganhou uma "nova" força. Mais uma vez, cortei-me, mas desta vez os cortes foram mais leves.
Assim se passaram alguns anos, até ter encontrado uma velha amiga da secundária.
Nas primeiras vezes em que saímos, combinávamos apenas as duas para tomar café ou ir ao cinema. Uma vez, enquanto estávamos juntas, ela perguntou-me se ainda me lembrava de ti. Eu disse que sim. Acho que foi num fim de semana que nos reencontramos, passados largos anos, certo?
As saídas que começámos a ter nós os três (tu, eu e ela) giravam em torno de conversas sobre computadores ou jogos. Eu tentava sempre incluí-la na conversa, mas é verdade que, na maioria das vezes, dava mais atenção ao que ela dizia do que a ti.
Quando íamos a lojas de informática, mostravas-me as novidades ou partilhávamos as nossas teorias sobre certos temas, ouvindo e debatendo cada ideia um do outro (confesso que adorava esses momentos).
A primeira vez que fui dormir a casa dela, confesso que gostei muito, pois tínhamos o nosso "tempo" a sós para falar. Ainda me lembro do primeiro jogo que terminámos juntos; se não estou enganada, acho que foi Dead Space 2.
Uma das coisas que gostei de descobrir foi que também vias Criminal Minds, e que prometeste que só nos veríamos juntos quando eu fosse lá dormir.
Lembras-te daquela vez em que me perguntaste se via hentai? Fiquei a pensar: "WTF?! Como é que eu respondo a isto?" Depois, começaste a fazer perguntas mais ousadas. Ao início, senti-me desconfortável em falar disso, mas com o tempo fiquei mais à vontade.
Acho que começaste a conhecer-me melhor quando te contei um pouco sobre o meu passado e o porquê de ser tão fria na altura e de achar o amor um sentimento inútil.
Aquele abraço que me deste pela primeira vez surpreendeu-me, porque não estava à espera. Mas soube tão bem, aquele cuidado com que me abraçaste e o calor dos teus braços foram tão acolhedores. Contudo, esse abraço não vi mais do que um gesto amigável.
Lembras-te daquela vez em que me agarraste por trás porque eu não conseguia ver no escuro? Achei aquilo um pouco estranho, mas pensei para mim mesma: "Ele está só a ajudar-me, porque mal vejo no escuro." Não tenho a certeza, mas acho que, nessa altura, já sentia uma ligeira diferença na forma como olhavas para mim. Parecia que olhavas para mim durante mais tempo do que o costume, como se eu tivesse algo escrito na testa. Acho que esse foi um dos primeiros sinais que notei.
Outro sinal que me escapou na altura foi quando saímos todos juntos e eu trouxe um colega de turma da minha irmã. Notei que te distanciaste de mim nesse dia, ao ponto de quase não me falares, a menos que fosse necessário. Perguntei-lhe até se estavas chateado com alguma coisa. Só quando voltei a falar do assunto mais tarde é que descobri a verdade: tinhas ficado com ciúmes do colega da minha irmã. Na altura, achei um pouco estranho, pois estavas com ela, e não esperava que tivesses ciúmes de um amigo, dela, certo?
Foi aí que começaste a questionar-te acerca das coisas e a pensar no assunto. Dias passaram-se, e mais uma vez fui passar uns dias a casa dela. Naquela altura, ainda não sabia dos teus sentimentos por mim.
Até que, enquanto jogávamos GTA IV, perguntaste-me se podias beijar-me. No início, não soube o que responder e fiquei confusa. Pensei para comigo: "Porque está ele a pedir-me isto? Supostamente, os amigos não fazem isso, certo?" Fiquei nervosa e tentei ignorar ao máximo o que tinhas perguntado. Depois explicaste-me que era uma dúvida que tinhas, já que ela mal te beijava.
Ao início ia dizer que não, mas depois achei que era apenas uma curiosidade, nada mais. Fiquei até um pouco preocupada, porque já há anos que não beijava ninguém. Confesso que senti alguma intensidade da tua parte e um certo cuidado. Achei que ia ser um beijo rápido, mas depois prolongaste o momento e deslizaste a tua mão até à minha cintura. E foi aí que interrompi, pois estavas a ultrapassar o limite.
Esse momento passou-se...
No dia seguinte, quando vi as tuas pesquisas, com perguntas do tipo "Será que estou apaixonado pela amiga da minha namorada?", percebi. Perguntei a mim mesma: "Ele gosta de mim? Impossível! Porque motivo ele haveria de gostar de mim? Não tenho nada que chame a atenção de um rapaz... e ainda por cima ele está com ela… Não entendo."
Quando percebeste que eu tinha visto as pesquisas, explicaste o que tinhas feito. Não sei se foi aí que me contaste que tinhas sentimentos por mim, mas já não fiquei muito surpreendida, pois já tinha começado a juntar as peças.
Nesse dia, também me revelaste que tinhas tido um sonho erótico comigo e que até tinhas escrito algo para mim. Achei engraçado quando contaste o sonho, e sei que ficaste um pouco envergonhado. Mas surpreendi-te quando te pedi que contasses como tinha sido...
Nessa altura, lembro-me de te ter dito que te via apenas como um amigo, e assim respeitaste isso.
Aliás, já tinha descartado a hipótese de arranjar namorado há algum tempo. E tu viste o que aconteceu com o teu melhor amigo. Não sei como reagiste quando ele te disse que gostava de mim, mas penso que tiveste ciúmes e talvez até alguma ira, como qualquer ser humano teria no momento, certo?
Suponho que, de certa forma, ficaste feliz por saber que não estava interessada nele, e assim voltaste à "carga" comigo.
Acho que a faísca para a nossa história aconteceu quando o colega da minha irmã "cortou" relações comigo, por ter ultrapassado a linha do meu espaço de conforto. Nessa altura, nós também saímos pela primeira vez como amigos, e ainda me lembro de como estavas nervoso, quase como se estivéssemos num primeiro encontro.
Achei isso estranho e até te perguntei porque estavas assim, já que não era costume. Desde esse dia, disse-te para seres tu mesmo, e voltaste ao normal.
O primeiro contacto físico que tivemos, para além do beijo, foi quando dei o braço a ti. Depois vieram os abraços, e com eles, uma sensação de conforto e bem-estar. Confesso que essa nova sensação era tão boa que, de certa forma, não queria que acabasse.
Naquela altura, as coisas já não estavam bem entre ti e ela. Foi naquela noite, no Skype, que descobri que gostava de ti, porque foi aí que me surgiu a pergunta: "O que aconteceria se nunca mais pudesse dar-lhe o braço ou até mesmo um abraço?" Senti um aperto no coração, como nos tempos passados.
Senti o chão a fugir-me lentamente dos pés, porque não queria perder aquela sensação boa. Naquela noite, lágrimas vieram-me aos olhos, pois sentia que iria voltar ao meu "eu" antigo.
No dia seguinte, falámos do que aconteceu e, várias vezes, no final de cada resposta tua, acabavas por dizer sempre a mesma coisa: "A pessoa de quem gosto e amo és tu. Ela, para mim, já não significa nada."
É verdade que, ao início, não levava muito a sério as tuas palavras, mas o tempo foi-me mostrando a veracidade dos teus sentimentos por mim.
A única coisa que posso dizer agora é "Muito obrigada por não teres desistido de mim" e "Obrigado por me mostrares que o mundo não precisa de ser pintado de negro, basta ter alguém certo ao lado para o tornar mais colorido, verdade?"
Sabes aquela pequenina palavra, cujo significado é do tamanho de galáxias? A palavra que eu costumava odiar e que me era indiferente?
Agora gosto de ouvi-la da tua boca, seja ao acordar, deitar ou passear. O facto é que adoro ouvi-la, e enquanto os meus ouvidos ainda funcionarem, sempre a ouvirei com ternura, deixando-me sempre com um sorriso nos lábios.
Sabes que, a cada dia que passa, és o "tal". Nunca ninguém foi assim para mim, a não seres tu. Foste tu quem me fez recordar como é bom receber afeto de alguém que nos ama verdadeiramente.
Se não me tivesses "salvado", acho que hoje não estaria aqui. Sei que tenho dificuldades em expressar sentimentos positivos, pois passei muito tempo sem o fazer.
Sabes, às vezes, quando digo ou falo coisas lamechas para ti? Vêm todas do coração. Nunca pensei que alguém pudesse amar-me assim tanto como tu. Sempre me imaginei a terminar a vida como uma velha rabugenta e solitária, rodeada de gatos, mas tu mudaste esse destino da noite para o dia.
Agora vejo-me contigo de mãos dadas, encostando pela última vez a cabeça ao teu ombro caloroso, fechando lentamente os olhos e recordando todos os bons momentos que tivemos juntos. Olho para trás e penso: "Eu faria tudo outra vez, se fosse necessário."
Ainda hoje me pergunto se isto é algum sonho, ou se estou a sonhar acordada… Ao que parece, não estou em nenhum deles. Ainda bem, porque não quero que esta relação nunca termine. E, mesmo que acabasse, sempre seríamos amigos, já que a nossa relação foi construída sobre a amizade, certo?
Porque “aqueles que se amam de verdade nunca se separam, apenas seguem juntos por caminhos diferentes."
P.S.: AMO-TE muito.
Foste a melhor coisa que me aconteceu na vida e, de uma coisa, tenho a certeza: nunca me arrependerei de te ter conhecido. Ao que parece, devo agradecer ao destino, pois foi ele que quis que os nossos caminhos se cruzassem novamente.

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