- Autor: Altokio
- Categoria: Original
- Géneros: Comédia, Romance, Yaoi
- Idade: 18+
- Serie: Book With One-Shot's
Sinopse: “O que acontece quando cometemos um pequeno erro insignificante?"
Cap.01 - Um Pequeno Mal Entendimento
Como odeio acordar cedo, levanto-me sempre com muita dificuldade e ainda meio sonolento. Dirigi-me à casa de banho para refrescar o rosto ensonado, na esperança de acordar de vez.
Tomei o pequeno-almoço lentamente, aproveitando que o "resmunga-o" da casa não estava. Quando ele está, faz tudo à pressa, o que me irrita profundamente.
Enquanto comia, o meu telemóvel tocou. Ao ver quem era, fiz logo cara de enterro: era o "resmunga-o" Ryutarou Shiroyama. Ele é um amigo de faculdade do meu irmão e, para meu azar, tive de ficar em casa dele por causa do estágio do meu irmão.
Lembro-me bem do dia em que o meu irmão lhe falou sobre mim. A primeira reação de Ryutarou foi logo negativa.
– É só por uns meses, ele pode ajudar-te nas tarefas domésticas – disse o meu irmão, tentando convencê-lo.
– Ok... – suspirou. – Ele pode ficar, mas só porque é teu irmão.
– Obrigado, Ryutarou! Fico-te a dever esta. – respondeu o meu irmão, radiante.
Depois, virou-se para mim: – Koji, vais ter de ficar aqui uns meses com o Ryutarou. Não te preocupes, ele é boa pessoa.
Boa pessoa? Até hoje, a única "bondade" que vi nele foi dar-me ordens para tudo. Mas pronto, é só por mais uns meses.
Atendi a chamada.
– POR QUE RAIOS DEMORASTE TANTO A ATENDER?! – gritou ele, quase me deixando surdo.
– O que queres afinal?
– Quero sukiyaki ao jantar, por isso vai comprar os ingredientes.
Que lata!
– Ok, não te preocupes.
Olhei irritado para o calendário. Sabia que amanhã ele fazia anos, mas a verdade é que não tinha qualquer vontade de lhe oferecer nada.
Vesti-me para ir para a escola. Pelo menos, lá consigo abstrair-me, assim como no meu part-time. O tempo parece voar quando não estou em casa.
Depois do turno, fui ao supermercado. Lembrei-me de como o meu irmão sempre falava bem de Ryutarou. Quando me disse que teria de ficar com ele por causa do estágio, eu não disse nada, mas agora arrependo-me de ter ficado calado.
Quando cheguei a casa, as luzes já estavam acesas. A vontade de entrar desapareceu de imediato. Cada passo que dava parecia prolongar a caminhada. Abri a porta, e lá estava ele, a ver televisão.
– Porque demoraste tanto? Estou cheio de fome! – exigiu, sem sequer olhar para mim.
Cá vamos nós outra vez…
– Ok, tem calma, já vou fazer o jantar – disse, dirigindo-me à cozinha, sem grande entusiasmo.
Sinto tantas saudades do meu irmão. O tempo em casa parecia arrastar-se.
– Hum... que cheiro maravilhoso – disse ele, aproximando-se de mim de repente.
– Mas que raio?! – exclamei, ao deixar cair água a ferver na mão dele. – Desculpa! – peguei rapidamente na mão dele e coloquei-a sob água fria.
Fui buscar uma ligadura e creme para queimaduras. Na cozinha, Ryutarou sentou-se numa das cadeiras.
– Viste o que aconteceu por me assustares? – disse, enquanto lhe aplicava a pomada.
– A culpa é tua, por seres um medricas de primeira – respondeu, pousando o queixo na mão e olhando para mim com desprezo.
Aquilo foi a gota de água. Levantei-me assim que terminei de lhe pôr a ligadura.
– Já chega! Estou farto! Esta é a última vez que me tratas assim. – Virei-lhe as costas. – Vou-me embora, de vez.
– Para onde vais? – perguntou, sem me levar a sério.
– Para qualquer lado, menos aqui.
No quarto, comecei a fazer a mala o mais depressa que pude. Quando cheguei à porta, Ryutarou bloqueava a passagem, de braços cruzados.
– Sai da frente – disse, sem o encarar.
– E se eu não o fizer, o que fazes? – desafiou ele.
– Tiro-te à força – disse, determinado.
Ele riu-se, o que só me deu mais força para tentar afastá-lo. Mas, por mais que tentasse, apenas consegui movê-lo uns centímetros.
– É só isso que consegues? – riu-se mais ainda.
Sentei-me à entrada, porque sabia que não ia a lado nenhum.
– Afinal, porque é que me tratas assim? Que eu saiba, nunca te fiz mal nenhum – disse, olhando-o.
Ele não disse nada, apenas me fitava com um olhar profundo. Num impulso, voltei a investir contra ele, desta vez com mais força. Mas Ryutarou também avançou e acabou por me prender os pulsos no chão, ficando sobre mim, a olhar-me fixamente.
– Solta-me! – pedi, tentando escapar.
– Ainda não percebeste?
– Do que estás a falar? – perguntei, confuso.
Nesse momento, os lábios de Ryutarou tocaram os meus, surpreendendo-me. O beijo era tão profundo que me deixei levar.
– Eu gosto de ti, Koji – disse ele, ofegante.
Ele gosta de mim? Sempre pensei que me odiava, por causa da maneira como me tratava.
– Não me odeias? – perguntei, num tom baixo.
– Odiar-te? Onde foste buscar essa ideia? – perguntou, soltando-me.
Agora é que não estou a perceber nada.
– Onde fui buscar essa ideia?! – disse, com ar de parvo.
– Sim – respondeu ele, sentando-se ao meu lado.
– Bem... – tentei encontrar uma explicação.
Ryutarou suspirou, desiludido, e sentou-se no chão ao meu lado.
– Lembras-te do dia em que nos conhecemos em casa do teu irmão?
– Sim, e então? – perguntei, sentando-me também no chão.
– Logo nesse dia, senti um fraquinho por ti – confessou, envergonhado, desviando o olhar.
Nunca imaginei que este homem pudesse ser tão fofo envergonhado.
– Eu queria convidar-te para sair, mas acabei por te ouvir dizer que não gostavas de homens muito meigos ou passivos. Foi por isso que mudei a maneira como te tratava.
Fiquei boquiaberto com a explicação.
– Percebeste tudo mal, Ryutarou! – aproximei-me dele. – Aquilo que ouviste foi o diálogo de uma fic minha! – expliquei.
– Uma fic tua? – perguntou, surpreendido.
– Sim, quando estou a escrever histórias, tenho a mania de falar alto ao fazer os diálogos das personagens.
Ryutarou ficou sem palavras. Apenas pôs a mão no rosto e começou a rir-se.
– Desculpa se causei alguma confusão, não era essa a minha intenção – disse, sorrindo-lhe.
Ryutarou abraçou-me com força.
– Quando o teu irmão disse que vinhas para cá, fiquei super feliz, porque era a minha oportunidade de estar mais perto de ti. Quando te vi decidido a ir embora, não sabia o que fazer para te impedir.
Abracei-o também, tentando tranquilizá-lo. Que confusão por causa da minha boca grande!
Ryutarou beijou-me novamente, desta vez descendo para o pescoço. Com toques suaves, deitou-me no chão, beijando-me ao longo do corpo. Pequenos gemidos escapavam-me nas zonas mais sensíveis por onde ele passava.
– Espera, Ryutarou – pedi, um pouco preocupado.
– Não te preocupes, Koji. Serei gentil – sussurrou-me ao ouvido.
Foi a minha primeira vez. Não consigo descrever as emoções que senti naquele momento, mas foi algo incrível, que nunca esquecerei.
Na manhã seguinte, acordei na cama dele. Ryutarou já não estava lá, mas sentia-se o cheiro leve de comida. Desci até à cozinha.
– Bom dia, Koji – disse ele, sentado à mesa.
Fiquei espantado com a variedade de comida na mesa.
– Foste tu que fizeste isto tudo?
– Sim. Achavas que eras o único a saber cozinhar? – disse, sorrindo.
De repente, lembrei-me de que tinha esquecido o presente de aniversário dele.
– O que se passa? Estás tão agitado – perguntou, intrigado.
– Ainda perguntas? Sabes que dia é hoje?
– Sim, 19 de novembro – respondeu vagamente.
Fiquei um pouco desiludido com a resposta.
– Hoje é o teu aniversário! E ainda não te comprei nada... – disse, voltando-lhe as costas.
Ryutarou abraçou-me pelas costas, rindo-se baixinho.
– Não te preocupes com isso. A tua presença já é um grande presente para mim.
Fiquei tão vermelho como um tomate. Reparei que a ligadura da mão dele estava a soltar-se.
– A ligadura está a sair...
Ele olhou para a mão.
– Senta-te aí, que eu vou buscar uma nova.
Fui à casa de banho buscar o estojo de primeiros socorros. Ryutarou deu-me a mão, e eu fiz-lhe o curativo, observando que a queimadura estava a sarar bem.
– Mais uns dias, e a tua mão ficará como nova – disse, sorrindo.
– Obrigado – respondeu ele, num tom profundo.
Foi a primeira vez que ele me agradeceu. Este, sim, era o Ryutarou de quem o meu irmão sempre falava.
– De nada – respondi, corando. – Está pronto.
Enquanto Ryutarou continuava a comer, fui ao quarto. Lembrei-me de que tinha um cachecol em tons escuros na mala. Nunca gostei muito dele, mas achei que seria ideal para Ryutarou, que adora roupas escuras. Improvisei um embrulho e fui ter com ele.
– Ryutarou, toma, isto é para ti – disse, entregando-lhe o embrulho.
– Eu disse-te que não era preciso – respondeu ele, hesitante.
– Mas aceita, por favor.
– Se insistes... – disse, pegando no presente.
Ele abriu o embrulho e esboçou um sorriso.
– Era para o ter deitado fora, mas lembrei-me de ti. Sei que gostas de tons escuros, por isso decidi dar-to.
– Adorei. Obrigado – disse, levantando-se da cadeira e envolvendo-me nos braços.
– Parabéns, Ryutarou.
Talvez agora os dias não custem tanto a passar como antes.

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